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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

My purple flower

Minha paixão despertou por um sorriso
E pelos olhos que brilhavam
Um vestido movediço 
Que pés descalços sustentavam 

Me disseram que fazia frio, não recordo
Lembro apenas do calor que nos envolvia
E a todos que estavam a bordo
Apenas por um dia

Um dia, um mês, quatro anos
Tenho agora muitos planos
Muitos danos
Você. 

Que me faz sorrir com seu sorriso 
Que me faz querer viver com morte
Que me faz rir sem aviso
Que me faz florescer com mais sorte.

Roxo traz morte ao cinema
Roxo traz amor à nossa cena
Roxo é um segredo do nosso navegar
Roxo é amar no nosso mar

O mar e você.
O mundo e você.
Você e nós.
O mundo e o mar.
Nós e o mundo.
O mar e nós.
Você e nós e o mar e o mundo.

E o amar.
Minha paixão perdura a cada segundo.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Para dois corações

Pulando ponteiro por ponteiro, você me alcançou
Chegou na décima primeira hora e o relógio se estancou
Tentei consertá-lo, mas você me impediu
Perguntei o porquê, você apenas riu

Eu ri de volta e aquela foi a primeira vez que te vi
Aos risos e pulos, foi como te conheci
Com o tempo, percebi que havia algo no seu olhar 
Algo que sempre me fazia querer chorar

Não, não era apenas nos seus olhos
Era em como você pulava, ria e me impedia de ajustar relógios
Coisas mais importantes precisavam ser ajustadas
E até hoje me sinto grata de ter me levado em sua jornada

Nela conhecemos lugares grandes e complicados
Mas o meu preferido sempre foi o menor que era grande ao seu lado
De longe, nunca achei que fosse caber o nosso amor
Até que descobri que você tinha dois corações e era muito sonhador

Quero sonhar sempre com você e seus corações
Pois hoje você me disse que o relógio já pode ser consertado 
Perguntei o porquê, você respondeu que foi pelo tempo que tivemos
E que não teremos mais

Em meio a pulos, risos e lágrimas, você me ajudou a consertar o relógio
E, ponteiro por ponteiro, começou a se afastar
Antes de você ir, eu disse que sempre que fosse a décima primeira hora eu iria lembrar do seu primeiro riso
E de como você havia me alcançado e o nosso tempo havia passado

E então você me deu um beijo na testa, como sempre costumava dar
E só essa faísca me fará querer viver mais
Apenas por mais um beijo na testa
E pelo pulo que te traz. 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Brilhos no espaço

Olá, escuridão
Me traga um vaga-lume que ilumine minha visão
Olá, escuridão
Apreciei o vaga-lume, mas ele foi embora em um grande borrão
Olá, escuridão
Sinto falta do vaga-lume e do seu lindo brilho com paixão

Olá, escuridão
Hoje descobri o sol e sinto que posso voar
Olá, escuridão
Meu voo não se concretiza pois o sol e eu precisamos de um amigo para brincar
Olá, escuridão
Meu vaga-lume querido voltou e eu, ele e o sol queremos inventar

Olá, escuridão
Meu amigo vaga-lume veio para ficar e juntos corremos pelo mundo
Olá, escuridão
Por algum motivo o vaga-lume espantou o sol e este se encontra moribundo
Olá, escuridão
Hoje o vaga-lume e o sol se acertaram e brilhamos juntos a todo segundo

Olá, escuridão
Descobri que o vaga-lume pode fazer coisas brilhantes de outro mundo
Olá, escuridão
Descobri que o sol pode fazer coisas brilhantes neste mundo
Olá, escuridão
Descobri que sem o brilho desses dois não há meu mundo

Olá, escuridão
Eles brilharam por muito e muito tempo
Olá, escuridão
Encontramos diversos seres a todo momento
Olá, escuridão
Algumas descobertas nos causaram certo tormento

O tempo nos alcançou e um brilho tive de escolher
O vaga-lume era menor e poderia procurar outros amigos
O sol era maior e só queria estar comigo

Portanto, escolhi o sol, pois precisava brilhar mais
Mas não existe um segundo que passe sem que eu pense no nosso querido amigo vaga-lume
E a falta que ele nos faz

Adeus, escuridão
Somente hoje descobri que sempre fui luz
Adeus, escuridão
Ainda acho que é graças aos meus amigos e ao amor que se produz
Adeus, escuridão
Fui brincar de eternidade com o sol.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Um beijo na testa

Aos sete anos perguntei para uma menina de arco rosa e voz delicada se queria ser minha amiga. Ela aceitou. Hoje não lembro mais seu nome. Isabel, Isabela. Eu não saberia dizer, mas lembro bem claramente de um dia em que a vi chegando na escola e de como fiquei feliz com isso. É uma lembrança doce, não muito clara, mas correta. Como um beijo na testa.

Eu não sei quem ela se tornou e eu provavelmente nunca mais a verei na vida (ou quem sabe já a revi e não lembro), mas aquele momento em que ela disse "sim" foi um dos melhores dos quais já pude usufruir. E amizades são assim, repletos de momentos incompletos por natureza e repletos de beijos na testa sincronizados com lágrimas de despedida. O "até logo" de cada dia que pode vir a ser o "até logo" de uma vida inteira. 

Amizades são beijos na testa que permanecem, nunca nos deixam de tocar. São eternos por serem tão frágeis. São frágeis por serem eternos. Eternos por serem demonstração do mais puro amor. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Uma caixa de lembranças

"Some mysteries I'll never understand: the way the Earth rotates around the sun, three minutes shorter every day. Or the way the dead are gone. Or putting down the phone or turning a corner. The future: that's another whopper. We can never know what we can never know. Except, that whoever you are, and whoever I am, you made it alright to be me."

Ben Marshall, Driving Lessons. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O seu disco voador

Tenho sérias dúvidas de que um dia serei livre. Seja para navegar ou voar. Gostaria de deslumbrar um pouco da imensidão do mar ou do céu. Dessa forma, acalmaria minha pulsação já desgastada de tanto voar e navegar em sonhos. Livre.
Então houve um momento. Momento solene? Momento de lágrimas escorrerem. Tive oportunidade de contemplar o mar, o céu e alguns dos seres mais lindos já existentes dentro e fora de mim.

Aí, sim. Nesse momento eu estava pronta para embarcar.
Sem me preocupar e sem temer.
Livre para navegar.
Indo para onde for...

sábado, 15 de outubro de 2011

Dois porquinhos

Com suas roupas iguais e cores tão destoneantes, seu mundo e olhares pertencem a mim. Não existem de verdade, mas eles fazem mais sentido do que o lugar em que me encontro. Correr para buscá-los parece ser a melhor ideia, mas de alguma forma vocês estão perdidos dentro de mim. Na extensão de todo o meu corpo e alma.

E eu espero que cresçam, vocês dois. E criem porquinhos com roupas vermelhas e azuis. Ainda dentro de meu olhar, nunca longe de mim. Esses novos e amados porquinhos nunca se separarão, assim como seus pais. Porém, diferente deles, saberão medir seu amor e jamais irão se perder. Descobrirão juntos, sem a ajuda de livros, que a cor do amor é azul. Assim como a luz que incide sobre eles.

E assim viverão aqui dentro... Porquinhos calmos e em silêncio. Descobrindo o choro um do outro e me dando suas mãos para tocar o sol.

sábado, 27 de agosto de 2011

Bem Querer

Sou um cata-vento
Tantos ventos já catei
Ao olhar seu olhar
Indo embora
Não pude mais catá-lo

Um cata-vento nunca mais serei.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Segundo

Durante um momento qualquer do mundo, utilizei o termo "consumir o espaço". O utilizei de forma negativa, tentando relacionar com o consumismo que a todo momento praticamos. Já pensou em consumir um espaço de forma positiva? De forma pura e simplesmente pelo conhecimento adquirido? Pela vivência? Não pelas cores das roupas, mas pelas cores dos olhos?

Agora eu falo diretamente a você, espaço. Você é tão vasto e ao mesmo tempo tão pequeno perante à grandiosidade do mundo. Mas no meu mundo você funcionou e coube perfeitamente. A angústia me afronta às vezes. Ao achar que você é grande demais e eu pequena, parece impensável que demos certo. Machucará ainda mais quando eu não mais poder reparar nas cores dos seus olhos.

Você nunca poderá ler esse texto, não é? Entretanto, ele já deve ter sido repetido tantas e tantas vezes por outros seres pequeninos que muito provavelmente você já compreendeu e nem precisa que continuem dizendo o mesmo.

Porém, isso é necessário. Estritamente necessário. Pois preciso lhe dizer, com a mais pura lealdade que o inexistente me permite: não existem olhos mais belos neste mundo além dos seus.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Piscar de olhos

Tentarei fazer algo em que nunca fui muito boa: sintetizar. Uma palavra que parece produzir de maneira louvável o efeito que procuro é a nossa sempre querida "indiferença". Quando a conheci, eu poderia jurar que ela remetia ao antônimo de "diferença". Logo, "igualdade". Malditos prefixos e generalizações decorrentes da pouca experiência gramatical...

Descobri então que, na realidade, significava "não dar importância".